É sempre uma sensação horrível no dia seguinte. Parece que eu não devia estar ali – ou existir.
Sinto-me estúpida quando noto como ele nem olha na minha cara. É gentil, claro. Puxa a cadeira, pergunta o que prefiro comer ou beber. Ele me dá a senha da wi-fi e diz que pagará meu táxi quando der o horário da minha partida, pois tem ar condicionado e não corro o risco de perder o horário na rodoviária. Mesmo assim percebo que todo movimento dele é vazio e por obrigação, assim como os meus.
A viagem é durante a madrugada e recebo várias mensagens. Não dele, claro, e me sinto aliviada. Chego, os dias passam e o silêncio confirma o que eu almejava quando ele disse “Até logo!”. É o código mundial para “Graças a Deus que você vai embora e espero nunca mais te ver.”. Pelo menos o sentimento é mútuo.
Pena, que uns meses depois alguém na minha barriga me avisa que pensa diferente.
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