Renata troncuda, antes menina de perna fina. Ela chuta todas as pedras do caminho, mesmo que seus pés estejam bem machucados. Mãos pequenas, porém ágeis. Ganhava sempre as bolinhas de gude dos meninos da rua. A comida se curva à sua vontade, colocando no rosto de quem come um imenso sorriso. Sua voz é chata, fala alto demais sem precisar. Impossível não saber da sua chegada a não ser que ela esteja com a garganta inflamada ou algo que o valha. Bom, às vezes nem assim. Ela falou pelos cotovelos quando tirou o dente do siso. Suas palavras atropelam e prendem a atenção. Ela prende seu coração também, com suas mentiras tão sinceras. Passiva-muito-agressiva. De humor tempestuoso. Renata abre caminhos onde parece só haver mato com espinhos. Ela se impõe e se força onde, com quem e quando quer. Mas essa fortaleza toda é de areia. Suas paredes são imponentes, altas e parecem jamais ultrapassáveis. Só quem já as viu bem de perto sabe que a onda violenta faz tudo desmoronar. Uma hora é Renata muito brava e na outra é Renata muito chorosa... E muito brava. Mas de qualquer forma, vulnerável. Baixinha. Marrenta. Apegada. Mãe à espera de um acidente. Minha irmã.
Atualização: Dois acidentes aconteceram e se chamam Maria Clara e Lucas.
Milton Nascimento - Maria Maria
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