florbela espanca e samba

 não dá. eu sei que não dá.

realmente, não tem como seu paladar infantil deglutir florbela espanca e samba assim, logo de manhã. as cores de almodóvar te fazem espirrar. minha hilda hilst extrapola os limites do seu pudor católico que você nem viu ser instalado em você. toda noite você fala "você é demais" e eu digo "sim, eu sou demais mesmo", mas não estamos dizendo a mesma coisa. meu licor atropela sua coca-cola. meu grito machuca sua polidez exacerbada. minha latinidade parece ferir sua admiração anglo-saxã.

minha pele de sol com decote, com pernas e com pés descalços precisam ser explorados com vivacidade, com curiosidade. com vontade. preciso correr a mata e descansar na praia. um dia inteiro no mar, até a pele ressecar de tanto sal. preciso de cabelo bem bagunçado e de sentar no chão pra comer fruta. ler deitada na rede. preciso da minha camiseta colorida dos paralamas do sucesso e dos chinelos de dedo e das unhas vermelhas.

eu realmente sou demais. demais pra você comportar. então vá! vá achar a moça lisa, sem texturas. a sua vanilla aesthetic girl. branca e bege claro. que fala inglês com sotaque britânico porque assiste muitos filmes britânicos e que nunca foi ao reino unido. que usa coque, joias que não combinam com jeans pantalona e bolsa de couro grande demais. aquela que não discorda de você em voz mansa enquanto toma um cappuccino.

vá embora. vá achar menos, pois é o que combina mais com o seu tamanho.

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ódio 23

meus sentimentos não precisam passar pelo seu crivo para serem importantes. a importância deles é intrínseca.