Nenhum dos cinco antidepressivos que
tomei hoje fez efeito. Sinto meu peito doer como se estivesse sendo apertado
até tudo dentro ser esmagado. Juro que posso sentir a hemorragia e juro que o
sangue acabará saindo com minhas lágrimas. Lágrimas estas do choro mais
convulsivo que já chorei na vida. Minha irmã aparece e pergunta se pode fazer
algo para me ajudar, mas não pode. Ninguém pode me ajudar. Mesmo assim ela me
não me deixa sozinha.
Apesar de ter a idade que tenho, não
consigo ser a adulta que deveria. Neste momento humilhante não sou nada mais
que uma criança com o coração partido, chorando na cama. Uma criança que foi
usada e rejeitada por dois anos e meio. E cada um desses dias quebrou um pedaço
de mim, deixando como resto uma dor lancinante que me manterá acordada toda
noite pelos próximos meses.
Não consigo fazer o ar chegar até
meus pulmões. Quero gritar, mas minha voz não sai. Só sei continuar a chorar.
Meu pai entra no quarto e me toma nos braços na tentativa de me acalmar. Ele
diz “Calma… Você é forte, tem de dominar isso… Eu estou aqui, tá?”. Uma coisa eu
quero dizer, mas minha tristeza não permite. Entre os soluços, eu digo apenas
mentalmente “Mas ele não está mais, pai! Ele não está!”.
Amy Winehouse - Back To Black
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