É você que fica entalado em mim. Não consigo engolir e nem expurgar.
A ressaca dos seus olhos traga minhas inúteis defesas e me deixa desarmada. Nessas noites sinto sua vontade pulsar, embalando meu corpo com seus braços, com sua voz rouca e oblíqua.
O frio que entra pela janela não esfria nossas peles em atrito. O calor que surge é impenetrável e só se expande. Corre pela boca, pelas pernas, pelo corpo todo. Infinitamente pelo corpo todo.
Falamos muitas coisas com a boca, mas os olhos são hesitantes e dissimulados. Para calar o que não temos certeza, bebemos copos cheios de mentiras seguidos de arrepios e tremedeiras.
Tenho urgência de silêncio e de você quero beber até a última gota.
Nenhum comentário:
Postar um comentário